Professor colabora com estudo sobre desenvolvimento rural

13/06/2014

A agropecuária familiar e as cadeias produtivas sustentáveis foram os temas desenvolvidos pelo Prof. Dr. Edson Trajano Vieira, da Universidade de Taubaté (UNITAU), para o livro "Desenvolvimento rural: desafios do planejamento econômico e ambiental", idealizado pelo Instituto de Pesquisa, Administração e Planejamento (IPPLAN), em parceria com a Prefeitura Municipal de São José dos Campos. Lançado em quatro de junho, o estudo objetiva indicar estratégias que possibilitem o desenvolvimento econômico e também a melhoria na qualidade de vida da população rural. "A intenção é mapear como está a atual situação no campo", conta o Prof. Trajano. Para isso, ele desenvolveu ampla pesquisa sobre os produtores de leite no Vale do Paraíba, discutindo desde a importância da agricultura familiar até a produção e o caminho que o laticínio faz para chegar ao mercado além das dificuldades do pequeno produtor. "O resultado expõe a dificuldade dos agricultores em se estabelecer no mercado e competir igualmente com os grandes produtores", explica Trajano. Um dos principais empecilhos do pequeno produtor é a indústria, que é fornecedora de matéria prima. Existe um pequeno número de indústrias que produzem o que é necessário para a agricultura familiar e elas têm o monopólio dos diferenciados produtos necessários para o agricultor. O que gera problema são os criminosos, porém presentes, cartéis que eliminam a concorrência, estipulando preços parecidos e alto entre os fornecedores, em contrapartida ao baixo número de procura do que é produzido pela agricultura familiar, tornando o preço final do produto elevado. Aliados a estes fornecedores, estão os grandes produtores e a agroindústria. Com maiores investimentos e parcerias, elas conseguem tornar o produto final mais acessível aos compradores, ou seja, já no mercado, o produto do agronegócio tem o preço menor que o produto do pequeno produtor. De acordo com o estudo, por exemplo, o preço do litro do leite do tipo C recebido pelo pequeno agricultor entre os anos de 1995 e 2010 teve aumento de 164% e o preço do mesmo leite no varejo paulista aumentou 247,46%. Enquanto isso, o custo com a compra da ração aumentou 221,67%. Assim, a renda da pecuária leiteira foi reduzida e a da agroindústria cresceu. Analisando, é perceptível que o pequeno produtor rural precisará produzir e vender mais leite para comprar a mesma quantidade de ração que o grande agricultor. Como solução, o livro defende a formação de associações ou cooperativas como uma alternativa para que a agricultura familiar tenha maior poder de negociação. A obra também expõe a importância da manutenção das comunidades rurais por meio de programas de fomento, como o Programa nacional de fortalecimento da agricultura familiar (Pronaf), que facilitou o acesso ao credito, e o Programa luz para todos, que possibilitou a implantação de pequenas indústrias rurais. O trabalho completo, que também conta com capítulos escritos por professores e economistas de outras universidades, está disponível para download no site do IPPLAN, para ser consultado por estudantes, professores, e outros cidadãos interessados. Lenise Medeiros ACOM/UNITAU

A agropecuária familiar e as cadeias produtivas sustentáveis foram os temas desenvolvidos pelo Prof. Dr. Edson Trajano Vieira, da Universidade de Taubaté (UNITAU), para o livro “Desenvolvimento rural: desafios do planejamento econômico e ambiental”, idealizado pelo Instituto de Pesquisa, Administração e Planejamento (IPPLAN), em parceria com a Prefeitura Municipal de São José dos Campos.

Lançado em quatro de junho, o estudo objetiva indicar estratégias que possibilitem o desenvolvimento econômico e também a melhoria na qualidade de vida da população rural. “A intenção é mapear como está a atual situação no campo”, conta o Prof. Trajano.

Para isso, ele desenvolveu ampla pesquisa sobre os produtores de leite no Vale do Paraíba, discutindo desde a importância da agricultura familiar até a produção e o caminho que o laticínio faz para chegar ao mercado além das dificuldades do pequeno produtor. “O resultado expõe a dificuldade dos agricultores em se estabelecer no mercado e competir igualmente com os grandes produtores”, explica Trajano.

Um dos principais empecilhos do pequeno produtor é a indústria, que é fornecedora de matéria prima. Existe um pequeno número de indústrias que produzem o que é necessário para a agricultura familiar e elas têm o monopólio dos diferenciados produtos necessários para o agricultor. O que gera problema são os criminosos, porém presentes, cartéis que eliminam a concorrência, estipulando preços parecidos e alto entre os fornecedores, em contrapartida ao baixo número de procura do que é produzido pela agricultura familiar, tornando o preço final do produto elevado.

Aliados a estes fornecedores, estão os grandes produtores e a agroindústria. Com maiores investimentos e parcerias, elas conseguem tornar o produto final mais acessível aos compradores, ou seja, já no mercado, o produto do agronegócio tem o preço menor que o produto do pequeno produtor.

De acordo com o estudo, por exemplo, o preço do litro do leite do tipo C recebido pelo pequeno agricultor entre os anos de 1995 e 2010 teve aumento de 164% e o preço do mesmo leite no varejo paulista aumentou 247,46%. Enquanto isso, o custo com a compra da ração aumentou 221,67%. Assim, a renda da pecuária leiteira foi reduzida e a da agroindústria cresceu. Analisando, é perceptível que o pequeno produtor rural precisará produzir e vender mais leite para comprar a mesma quantidade de ração que o grande agricultor.

Como solução, o livro defende a formação de associações ou cooperativas como uma alternativa para que a agricultura familiar tenha maior poder de negociação. A obra também expõe a importância da manutenção das comunidades rurais por meio de programas de fomento, como o Programa nacional de fortalecimento da agricultura familiar (Pronaf), que facilitou o acesso ao credito, e o Programa luz para todos, que possibilitou a implantação de pequenas indústrias rurais.

O trabalho completo, que também conta com capítulos escritos por professores e economistas de outras universidades, está disponível para download no site do IPPLAN, para ser consultado por estudantes, professores, e outros cidadãos interessados.

Lenise Medeiros
ACOM/UNITAU